No coração, talvez

No coração, talvez, ou diga antes: Uma ferida rasgada de navalha, Por onde vai a vida, tão mal gasta. Na total consciência nos retalha. O desejar, o querer, o não bastar, Enganada procura da razão Que o acaso de sermos justifique, Eis o que dói, talvez no coração. José Saramago, em “Os Poemas Possíveis”

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Horas Rubras

Horas profundas, lentas e caladas Feitas de beijos rubros e ardentes, De noites de volúpia, noites quentes Onde há risos de virgens desmaiadas…   Oiço olaias em flor às gargalhadas… Tombam astros em fogo, astros dementes, E do luar os beijos languescentes São pedaços de prata p’las estradas…   Os meus lábios são brancos como …

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Se tu viesses ver-me…

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços…   Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca… o eco dos teus passos… O teu riso de fonte… os teus abraços… Os teus beijos… a …

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Saudades

Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?… Se o sonho foi tão alto e forte Que pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?… Ah, como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como o pão.   Quantas vezes, …

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Doce Certeza

Por essa vida fora hás-de adorar Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca, Em infinito anseio hás de beijar Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!   Hás de guardar em cofre perfumado Cabelos d´ouro e risos de mulher, Muito beijo d´amor apaixonado; E não te lembrarás de mim sequer…   Hás de tecer uns sonhos delicados… …

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Falo de Ti às Pedras das Estradas

Falo de ti às pedras das estradas, E ao sol que e louro como o teu olhar, Falo ao rio, que desdobra a faiscar, Vestidos de princesas e de fadas;   Falo às gaivotas de asas desdobradas, Lembrando lenços brancos a acenar, E aos mastros que apunhalam o luar Na solidão das noites consteladas;   …

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A Vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém; Inútil o desejo e o sentimento… Lançar um grande amor aos pés d’alguém O mesmo é que lançar flores ao vento!   Todos somos no mundo “Pedro Sem”, Uma alegria é feita dum tormento, Um riso é sempre o eco dum lamento, Sabe-se lá um beijo …

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